17 janeiro, 2010

A CIDADE E A MENTE

Caos urbano, trânsito, milhões de pessoas atordoadas andando em círculos procurando sobreviver a mais um dia na gigante metrópole. A cidade fica cada dia mais cheia, fétida, cinza, enquanto as pessoas normais buscam manter a sua sanidade em meio a insanidade da cidade. Mas como é uma pessoa normal? Quem pode ser taxar normal? Como é ser normal vivendo em meio ao caos?

O CAOS URBANO SEGUIDO DA NORMAL LOUCURA

A busca incessante por algo que lhe salve ou que pelo menos auxilie quando estamos à beira do surto total, ou apenas a busca por uma fuga, um lugar para se esconder, algo para ocupar a mente atordoada por pensamentos caóticos e desordenados. Fanáticos religiosos compram em moeda corrente o seu lugar no paraíso com a esperança de se salvar, enquanto isso, os pastores que provavelmente já se salvaram, queimam notas de dólar para acender um charuto cubano pago pela esperança alheia. Crianças armadas movimentam o narcotráfico que alimenta ainda mais a criatividade das mentes perturbadas, brigas no transito por motivos fúteis, filhos de políticos queimando moradores de rua por pura diversão, pessoas morando no esgoto por falta de opção, comendo ratos e baratas para sobreviver à fome que o caos urbano oferece de graça. Isso tudo é feito por pessoas normais, que de alguma forma, tentam ocupar suas mentes insanas enquanto vendem a imagem da normalidade a quem aparecer.

Milhões de fisionomias, alegres, tristes, indiferentes. Milhões de pensamentos embaralhados que nada esclarecem. Milhões de loucuras presas dentro de cada cabeça prontas para se mostrarem ao mundo. Você está pronto para entender as vozes da sua mente? Quem compreende os sons e imagens que conversam conosco quando fechamos os olhos, nos mandando fazer coisas estranhas, fora do normal. Mas quem é e quem não é normal? Quem define o que é loucura e o que é normalidade? Nem o louco mais louco admite ser louco, em sua cabeça está tudo muito normal.


O mundo está à beira de um colapso nunca antes visto, a água é cada vez mais escassa, o ar enche nossos pulmões de toxinas a cada inspiração, a poluição sonora a cada dia mais, embaralha os pensamentos já desordenados em nossas mentes, no levando a uma meditação caótica, uma sinfonia da destruição que cada vez mais causa transtorno, desorientação, desordem mental, até nos que se julgam totalmente normais. O stress da cidade grande transtorna o corpo e a mente. Onde isso pode levar? Ninguém pode responder! Quem sabe como um surto individual pode ser? São quase 20 milhões de pessoas normais passiveis aos tormentos da cidade condenada por pessoas ambiciosas, porem, normais. O mais normal é o que admite ser louco e o mais louco é o que tem plena convicção de que é uma pessoa normal. Placas e faixas pela cidade anunciam a chegada do salvador, enquanto estamos muito mais próximos do apocalipse do que nunca. E as vozes na minha mente continuam dizendo tantas coisas ao mesmo tempo que não sei nem por onde começar, se devo acreditar, empunhar as armas, aguardar a chegada da guerra, botar gasolina no garro pra ir trabalhar, mas trabalhar pra quem destrói e condena a humanidade? Enquanto isso nas esquinas, garotos desnutridos pedem dinheiro trajando apenas trapos e uma mascara de cola para aliviar o frio e o tormento mental. Esse é o mundo em que vivo, ou estamos apenas num pesadelo que vai acabar as seis da manhã quando meu despertador tocar?

O CICLO

O ciclo vicioso que a cidade vive só nos leva a um lugar, a loucura. Mas aonde a loucura pode nos levar? A ambição, mesquinhez, desgraça... o inferno não pode ser tão ruim, o céu é tão cinza e espesso que o paraíso já deve ter definhado em meio a poluição. A pichação nos muros mostra apenas o descontrole dos populares com sede de destruição; o presidente dos Estados Unidos da América acha que pode salvar a nação, mas a grande maioria prefere tratar diretamente com o próprio Cão e continuamos vivendo a desconstrução. E a população se amontoando em morros íngremes, e vivendo sua rotina normalmente. Normalmente faz frio, chuva e calor num mesmo dia, mas o céu continua cinza e impenetrável, nem os pensamentos mais otimistas podem ultrapassar a couraça densa de caos que se espalha cidade afora. Um monte de pessoas normais comendo lixo, roubando carros pra comprar drogas, vendendo o corpo por uns míseros trocados, espancando a mãe que jogou o filho da janela, claramente num ato de misericórdia, tentando poupar os fracos da força devastadora da insanidade que assola a cidade. Um dia todos mostrarão a verdadeira normalidade que passa dentro da loucura na cabeça de cada um.